Escrito por FPS às 09h14
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A roda dos crimes que abalam o país
Tudo começa numa nota de pé de página, num jornal de grande circulação, tipo "empresário é assassinado misteriosamente", ou "fulano se encontra desaparecido", ou "famoso encontrado morto na porta de sua casa"; nada de mais, apenas uma nota sobre uma suspeita de um crime ou um crime que, a princípio, pareceria corriqueiro.
Depois, as notícias que dão o choque: o empresário assassinado fora barbaramente torturado até a morte por traficantes de drogas adolescentes, ou o corpo de fulano é encontrado dilacerado por ordens do próprio filho, ou o famoso é morto por alguém que se desejava invejoso e firmara um pacto de morte com a própria mãe para executar o crime.
Mais notícias: o empresário era um senhor benevolente que dava emprego a cerca de 1000 funcionários e ajudava às famílias destes, o fulano era um pai exemplar que levava os filhos à praia toda semana e que se preocupava com os "maus elementos" amigos do mais velho, que planejou o crime, e o famoso era um ator promissor que recentemente se casara com uma apresentadora de TV e chamava a inveja do assassino.
Em três ou quatro dias, acontecem as mais diferentes respostas: editoriais dos jornais conservadores clamando por justiça e mudanças nas leis, editoriais dos jornais mais liberais lembrando que a coisa não é bem assim (e sendo atropelados pelo clamor popular), pais, filhos, netos, amigos e tudo o que mais clamando contra os absurdos dos "direitos humanos para bandidos" e querendo justiça; determinada apresentadora fazendo clamores pelo fim da baixaria e pela pancadaria, outro pedindo pau neles ... e por aí vai.
Em nove ou dez dias, tudo se acalmará de novo: notícias surgem a todo momento, e o povo precisa trabalhar, afinal de contas; os parentes das vítimas montarão associações pela justiça e pelo endurecimento da lei; políticos levarão projetos ao Congresso, e alguém se lembrará que o nosso país é signatário de tratados internacionais que prezam o respeito às liberdades individuais (lógico, porque para a ONU direitos são direitos, e não para poucos mas para todos); os projetos são arquivados ou entram em compasso eterno de espera; passeatas são montadas, e tudo fica por isso mesmo; se o assassino é morto na cadeia, ou se alguém comete uma loucura, as entidades de direitos humanos esperneiam, mas ninguém liga, porque "bandido bom é bandido morto", e tudo fica por isso mesmo.
Em quinze dias, ninguém mais se lembra dos nomes dos assassinos ou dos criminosos, a não ser em colunas que costumam tratar casos assim a fundo (e que quase ninguém lê).
Em trinta dias, tudo cai no esquecimento e a vida segue seu rumo.
Até que outra nota de pé de página comece tudo de novo ....
20/11/2003, 10:01
Escrito por FPS às 10h22
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Descobertas
- Foi bom pra você, não foi?
- Foi ... mas o que é que foi mesmo?
- Sei lá, só sei que é assim que ele falou.
- Mas foi bom, o quê?
- Eu não sei, não sou eu quem disse isso, foi ele quem disse pra ela ...
- É, mas o que é que ela disse?
- Nada.
- Nada?
- É, nada.
- Nada mesmo?
- É ... só chegou assim, do lado dele, foi estranho ...
- Estranho?
- É, estranho ... até porque ela ´tava gemendo um pouco antes.
- Gemendo? Me explica esse negócio direito ...
- Como assim?
- É ... não sei, não dá pra explicar ... eu não vi nada, ´tava fora do quarto ...
- Então você não viu?
- É, não vi ...
- E como é que vai saber se foi bom ou não?
- Eu não sei ...
- Ah, você não sabe nada, mesmo!
- Você é que não sabe!
- Você é que não!
- Eu é que vou te mostrar o que é que ele fez ...
- Ah, não, não vai mostrar nada não hmmmmmmfffffffff....
- ...
- ...
- Foi bom pra você?
- Não sei, preciso conferir uma coisa.
- Que coihmmmmmmm ...
12/11/03, 10:31
(publicado na lista com_texto - com_texto@yahoogrupos.com.br)
Escrito por FPS às 08h44
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